Como Escolher a Bicicleta Certa: uso, tipo e objetivos

uma bicicleta envolve um investimento financeiro substancial, por isso é importante fazer a escolha certa. O principal é estarmos cientes do uso que vamos dar a ela, qual é o nosso objetivo a médio-longo prazo e não nos deixarmos guiar por caprichos ou impulsos. 

Escolhendo o tipo de bicicleta desejado (estrada, montanha, cascalho, etc), nosso segundo dilema é avaliar o objetivo que estamos perseguindo e a frequência de uso, ponderando se vamos usar nossa bicicleta para uso recreativo ou vamos alocar para a competição.

Se decidirmos por uma bicicleta de estrada, devemos saber que elas são oferecidas com geometrias variadas. Sua escolha está relacionada a aspectos como a disciplina do ciclista, seus objetivos e suas características físicas. Todos eles determinarão a agressividade do quadro e a possível adaptação do ciclista. 

Tenha em mente que a geometria de uma bicicleta pode ser ‘modificada’ alterando alguns componentes, mas não pode ser alterada. Portanto, sua escolha correta será importante para evitar problemas posteriores como má adaptação ou a impossibilidade de ajustar a bicicleta às medidas necessárias para o ciclista.

Em linhas gerais, diferenciamos três tipos de geometrias: aero, típica das motos de competição, com geometrias mais agressivas e fisicamente mais exigentes; alpinistas, projetadas com geometrias mais versáteis, e ‘endurance’, típicas de bicicletas projetadas para percorrer longas distâncias e, portanto, geometrias mais relaxadas.

Se optarmos por uma bicicleta de montanha, daquelas concebidas para andar em pistas e trilhos, importa referir que existem diferentes tipos entre elas, embora as mais utilizadas sejam as de ‘cross-country’ (XC) ou ‘trail’ gênero, uma vez que oferecem geometrias mais descontraídas e seu uso é o mais difundido na iniciação. Podem ser rígidos (sem suspensão) ou com suspensão dianteira ou suspensão dupla.

Se a nossa escolha se encaixa em uma bicicleta de cascalho, aquelas máquinas ‘off-road’ que permitem que você aproveite tanto a estrada quanto as pistas não pavimentadas, devemos especificar que seu design é semelhante ao das bicicletas de estrada, mas oferecem uma geometria mais relaxada, por isso são adequados tanto para ciclismo como para uso urbano.

Se nenhuma das opções acima o convencer e você escolher uma bicicleta de triatlo, também chamada coloquialmente de ‘cabras’, você deve saber que essas são bicicletas orientadas para a competição. Por isso, têm geometrias desenhadas para favorecer a aerodinâmica, razão pela qual são fisicamente muito exigentes na sua utilização e requerem uma adaptação muito específica.

Depois de pesar todas essas informações, é bastante comum que o usuário ainda tenha algum tipo de dúvida na hora de escolher a bicicleta que mais combina com ele, assim como o tamanho correto. 

O ideal, sempre que possível, é realizar um estudo pré-compra em que o biomecânico indicará a bicicleta certa para nossas necessidades e o tamanho recomendado, levando em consideração nossas características e preferências. No entanto, caso tal não seja possível, podemos orientar-nos pelas tabelas indicativas disponíveis para as diferentes marcas e consultá-las na nossa loja de confiança onde nos poderão orientar devidamente.

Não esqueça de adquirir o seu seguro para a sua bicicleta.

Como colocar a bicicleta à minha medida?

Embora não exista um ajuste que funcione para todos os ciclistas, existem alguns tipos que podemos seguir para ajustar uma bicicleta às nossas necessidades de maneira genérica, tanto na compra de uma bicicleta nova quanto na utilização de uma bicicleta que não é nossa. 

É importante ter em mente que essas dicas são gerais e que sempre que for necessário um posicionamento específico e personalizado, será essencial realizar um estudo biomecânico. 

Antes de começar a fazer qualquer modificação em sua bicicleta, certifique-se de que ela esteja em uma superfície plana e nivelada e que você tenha as ferramentas necessárias para fazer os ajustes.

Colocação de calçados e presilhas

Em caso de uso de pedais clássicos ou com ripas, não será necessário o uso de calçado específico ou ajuste do pedal. Bastaria adaptar o calçado ao terreno em que vamos rolar. Se usarmos pedais automáticos, será necessário comprar calçados específicos para ciclismo e colocar as chuteiras corretamente. 

Existem diferentes tipos de presilhas que são presas ao pedal correspondente, por isso é importante prestar atenção a este detalhe e escolher as presilhas corretas para nossos pedais, sendo habitual que na mesma loja onde você compra os sapatos e as presilhas que eles colocam eles para você. .

De um modo geral, o grampo deve ser colocado entre o primeiro metacarpo ou extremidade do dedão do pé (área do joanete) e o quinto metacarpo ou extremidade do dedo mínimo. A trava não deve estar excessivamente avançada ou atrasada; devemos sentir o apoio na área do metatarso. 

Também será necessário prestar atenção à posição dos calcanhares, pois estes não devem estar muito fechados ou muito abertos. O ajuste das presilhas, assim como o posicionamento na bicicleta, será específico para cada ciclista com base em suas características físicas.

Escolha da sela

Existem tantas selas diferentes no mercado quanto pessoas. O ideal na hora de comprar um selim seria poder testá-lo antes, mas nem sempre é possível. O tipo de selim adequado dependerá da nossa fisionomia, da modalidade que praticamos e da nossa posição na bicicleta, pelo que é difícil aconselhar um selim sem conhecer o ciclista. 

O mais aconselhável é consultar o nosso biomecânico e caso não seja possível ir até a nossa loja de confiança, veja os modelos disponíveis e deixe-nos aconselhar. 

É importante, ao sentarmos na sela, estarmos cientes de que nossos ossos do assento, ou seja, os ossos do rabo, estão bem apoiados nele. Eles não devem ficar de fora ou sentir que a sela afunda entre eles.

Altura do selim

Existem diferentes teorias para especificar a altura em que o selim deve ser colocado. A fórmula mais utilizada consiste em multiplicar a altura da virilha do ciclista pelo coeficiente 0,885. O resultado indicará a altura aproximada em que a sela deve ser colocada, expressa em centímetros

Para calcular o comprimento da virilha, é necessário ficar em pé, descalço e com os pés ligeiramente afastados; e assim medir a distância do nosso períneo ao solo. A altura do selim obtida corresponderá à distância do centro do suporte inferior ao centro do selim, aproximadamente onde o selim tem 7 centímetros de largura.

Como regra geral, podemos identificar uma série de “sintomas” de que nosso selim está muito alto: sentir dor na região do períneo; oscilação excessiva do quadril lateral ao pedalar; dor na parte de trás do joelho e sensação de dificuldade para descer ao pedalar, notando um ponto excessivo dos pés. 

Pelo contrário, os sinais de que montamos um selim muito baixo são: dor na região anterior do joelho; lombalgia e aparecimento de sobrecarga e fadiga muscular excessiva.

Inclinação da sela

É comum não prestar atenção na inclinação do selim e é um aspecto que costuma causar desconforto e problemas comuns em ciclistas. O selim deve ter uma inclinação neutra para nos oferecer estabilidade e uma correta distribuição de peso sobre os ossos do assento. 

A maneira mais fácil de saber se a sela tem a curvatura adequada é usar um nível de bolha. Ao fazer isso, você deve colocar o nível no meio da sela, pois dependendo da forma da sela pode levar a enganos.

Para saber se o nosso selim dá sinais ‘positivos’, ou seja, se apresenta a ponta para cima, é necessário saber se notamos hiperpressão na zona perineal e/ou se sentimos desconforto na zona lombar. Ao contrário, uma sela em ‘negativo’, com a ponta para baixo, nos dará a sensação de ‘cair’ para frente acompanhada de uma carga de excesso de peso nos braços.

Recuo da sela

O recuo do selim é o movimento para frente ou para trás do selim em relação ao suporte inferior. Antes de determinar o referido recuo, será importante ajustar a altura do selim. Se dermos ouvidos à teoria, colocando o recuo na posição correta e colocando as manivelas paralelas ao solo; nosso joelho deve estar alinhado verticalmente com o meio do pedal.

Vamos com os sinais de ajuda. Se nosso selim estiver muito para trás, teremos a sensação de não alcançar o guidão corretamente (indo longo); sofreremos dores lombares e teremos uma pedalada ruim. No extremo oposto, um selim muito avançado causará dor no joelho; necessidade constante de nos reposicionarmos mais para trás no selim e a sensação óbvia de ter o guidão muito perto.

Altura do guidão

A altura do guidão é um fator que influencia diretamente no conforto e também dependerá da altura do selim. O usual é que haja uma diferença entre a altura do selim e a altura do guidão; ou seja, o guidão é colocado mais alto ou mais baixo que o selim. 

É difícil especificar qual deve ser sua altura em geral, e o mais fácil é testar e ver quais são nossas sensações ao andar de bicicleta. Devemos ter em conta que uma altura adequada do guiador deve permitir uma flexão do tronco de cerca de 45º em relação à horizontal e uma distribuição adequada do peso entre o selim e os braços.

O guidão mais alto que o selim nos oferece uma posição mais confortável e menos exigente para as costas, com menor carga de peso nos braços-mãos e melhor manuseio da bicicleta nas descidas, razão pela qual costuma ser a escolha dos ciclistas. início na atividade ou com pouca experiência.

Um guidão mais baixo que o selim, em geral, nos oferece uma posição mais aerodinâmica e competitiva, e melhor manuseio da bicicleta em subidas. Mais uma vez vamos com os sinais de ajuda. Guidão muito alto: dor lombar e sobrecarga nos braços. Guidão muito baixo: sensação de peso excessivo nos braços; dormência das mãos e dor cervical e/ou dorsal.

Distância do guidão

Estando no selim, devemos alcançar bem o guidão e principalmente as alavancas de freio, confortavelmente, sem precisar esticar as costas ou esticar excessivamente os braços. 

A distância entre o selim e o guiador pode ser variada alterando o comprimento do avanço e o recuo do selim. Os sinais de que nosso guidão está muito longe são: alcance ruim do guidão e manetes de freio; desconforto na região cervical, dorsal ou lombar devido a uma posição muito esticada. 

Ao contrário, os sinais de um guidão muito próximo são: desconforto nos ombros e braços; e o risco de tocar o guidão com o joelho ao pedalar em pé.

O que devo prestar atenção?

É óbvio que a posição na bicicleta difere muito da posição anatômica do ser humano, por isso é normal que quando começamos a pedalar ou quando fazemos passeios longos sintamos algum desconforto muscular e articular, e até mesmo o bem-estar rigidez conhecida que não temos a eles deve ser dada maior importância, como em qualquer outra atividade que está fora de nossa rotina habitual. 

No entanto, se esses desconfortos não desaparecerem no final da atividade ou em um curto período, persistirem ao longo do tempo ou forem um impedimento para continuar com nossa atividade diária, é importante consultar um biomecânico para detectar a possível origem do problema e achar uma solução.

Fique atento aos sinais de alerta. Tenha cuidado se notar dormência na região perineal e desconforto geniturinário ou se suas mãos e pés adormecerem; dor lombar ou lombociática; dor cervical ou cervicobraquial; e dor na face anterior, lateral ou posterior dos joelhos. Resumindo tudo isso, lembre-se que o processo biomecânico é complexo, único e personalizado para cada ciclista. 

Embora existam diferentes dicas que nos ajudam a ajustar nossa bicicleta de maneira geral, elas sempre serão medidas aproximadas e não específicas para cada ciclista específico. Assim, em caso de dúvida ou se necessitar de um cargo específico, é adequado dirigir-se a um centro biomecânico onde tenha meios profissionais para responder às suas necessidades. 

Por isso, lembre-se que andar de bicicleta deve ser uma atividade prazerosa e livre de sensações desconfortáveis, independentemente da modalidade que você pratica. Comece a atividade progressivamente, dando ao seu corpo o tempo necessário para se adaptar. Em caso de dúvida, Deixe-se aconselhar por profissionais qualificados e não se apresse na tomada de decisões. E, acima de tudo, divirta-se muito!

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