A sustentabilidade da consultoria ambiental: desafios futuros

Já que a consultoria ambiental começou a proliferar como profissão no final dos anos. XX, o setor tem sido obrigado a modificar continuamente sua estratégia e perspectivas futuras. A necessidade de adaptação à conjuntura socioeconômica, jurídica e comercial continua sendo sua principal ameaça, além de fonte de novas oportunidades de negócios.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Na década de 1960, em decorrência de alguns cenários de poluição em larga escala e diversas crises ambientais, a semente da consciência ambiental, a preocupação com os impactos no meio ambiente natural e a demanda por produtos mais respeitadores do nosso meio ambiente foram implantadas no pós- sociedade industrial ambiente.

Na Espanha, só no final dos anos 90 é que esses primeiros passos começam a se concretizar. A proliferação de regulamentações ambientais, praticamente sem precedentes até a segunda metade da década de 1980, e as novas regulamentações de gestão ambiental estão se tornando mais comuns na linguagem empresarial. As grandes empresas decidem então começar a trabalhar com seus relatórios ambientais (que hoje evoluíram para relatórios de sustentabilidade ou responsabilidade social corporativa), sendo o último ingrediente para o setor dar os primeiros passos.

No final do s. XX, surge também o catalisador que faz da consultoria ambiental um campo de interesse de muitos profissionais: o boom da engenharia civil. Centenas de projetos de estradas, linhas de alta velocidade, aeroportos, energias renováveis, linhas de transmissão, urbanizações, parques industriais e gasodutos, entre outros, bem como suas respectivas fases de obra, que fazem com que o número de consultorias ambientais aumente exponencialmente, em Espanha, por vezes associada a estudos de engenharia e / ou topografia.

Por mais de uma década, o setor sofreu seu esplendor e motivou o surgimento de diplomas universitários especializados e inúmeros cursos, mestrados, fóruns, eventos, etc. O número de profissionais cresce e surge a diversificação.

Porém, é a partir da segunda década dos anos. XXI, arrastado pela crise econômica mundial, a queda nas licitações públicas, a paralisação das obras civis e energias renováveis, e a perda de valor das empresas no monitoramento de seus impactos ambientais, o que provoca uma queda drástica do setor e um número indeterminado de profissionais forçados a reciclar.

SITUAÇÃO ATUAL

A crise da consultoria ambiental ocorrida nos últimos anos, paralela à vivida por muitos outros ramos, tem levado ao aparecimento de profundas mudanças no modelo de produção do setor. A estagnação e a baixa inovação que muitos profissionais e empresas ambientais estavam começando a experimentar, está dando lugar a uma nova forma de fazer as coisas. 

A consolidação social e empresarial das preocupações com as alterações climáticas, o marketing verde e, em geral, tudo o que está associado ao prefixo eco- (e as ameaças que isso acarreta), bem como a integração do negócio nas redes sociais, são novos vetores de desenvolvimento que estão modificando o que já existe.

O paradigma atual é de convivência entre as antigas consultorias, muitas delas lutando para sobreviver ao turbilhão do mundo 2.0 e tentando manter em suspense sua forma de fazer as coisas, com novos projetos de negócios que buscam se firmar no mercado, como Uma vez supersaturada, por sua capacidade de inovação.

Nessa guerra metodológica, a grande oportunidade do setor parece estar no surgimento de novas preocupações sociais para o consumo ambientalmente responsável e na consolidação de velhos conhecidos como as mudanças climáticas. 

Além disso, a análise do ciclo de vida ao longo da cadeia de valor dos produtos comercializados pelas empresas (rastreabilidade ambiental), a economia circular e a componente ambiental associada à responsabilidade social corporativa, parece que serão também uma fonte de projetos interessantes e áreas de estudo. Tudo isso sem esquecer a parte mais tradicional, que sem dúvida continuará a ser fonte de negócios, principalmente quando associada ao compliance legal.

OPORTUNIDADES E AMEAÇAS

Sem dúvida, as grandes ameaças a este setor continuarão a vir na forma de uma crise socioeconômica global. Por um lado, a falta de consciência empresarial das vantagens a médio longo prazo de respeitar o ambiente para a sua sustentabilidade e, por outro lado, a concorrência desleal que algumas consultorias oferecem para desacreditar o seu próprio sector, constituem ameaças prioritárias.

Relativamente a este último caso, importa referir que a política de preços baixos que algumas consultorias ambientais têm vindo a oferecer nos últimos anos não lhes trouxe os benefícios que esperavam. Nunca foi uma boa estratégia baixar os preços, pois sempre há alguém que pode se ajustar mais, principalmente quando o setor está sofrendo uma fragmentação em profissionais autônomos. Do meu ponto de vista, investir em especialização e capacidade de inovação permanente, adaptando-se rapidamente às necessidades do cliente, traz melhores resultados.

Nesse mesmo sentido, é onde aparecem as grandes oportunidades. O setor continuará inevitavelmente a experimentar o desaparecimento de empresas, antigas e novas, geralmente após optarem pela estratégia errada. E será isso que abrirá a oportunidade para novos profissionais prestarem seus serviços e contribuírem para um mundo profissional que, sem dúvida, passa por uma grande mudança global que ultrapassa o mero setor ambiental.

CAMPOS DE CONSULTORIA AMBIENTAL

Pensamos que algumas das principais áreas em que as necessidades deste setor se concentrarão são as seguintes:

  • Treinamento ambiental
  • Análise do Ciclo de Vida
  • Certificação energética
  • Prevenção de riscos profissionais
  • Sistemas de gestão ambiental (EMAS, ISO 14001)
  • Estudos de impacto ambiental e avaliação ambiental estratégica
  • Estudos de impacto da paisagem
  • Estudos de fauna, flora, habitats, áreas protegidas …
  • Cálculo da pegada de carbono e pegada hídrica
  • Análise de águas, atmosfera
  • Estudos de ruído
  • Análise de solos contaminados
  • Caracterização de resíduos
  • Modelagem de poluição
  • Estudos de minimização de resíduos
  • Planos de vigilância ambiental
  • Autorizações ambientais integradas
  • Due diligence
  • Planos de mobilidade
  • Auditorias ambientais
  • Topografia
  • Sistemas de Informação Geográfica
  • ambiente marinho
  • Analise de riscos
  • Educação ambiental
  • Turismo rural e ecoturismo
  • Planos de Responsabilidade Ambiental
  • Gestão de locais de caça

Planos de prevenção de incêndio

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